sábado, 7 de março de 2009

Um homem pegando fogo

Eles me dominaram, amarraram meus punhos e minhas perna, tentaram me afogar jogando seguidos baldes d’água no meu rosto, mas em um dado momento a água ficou com um cheiro diferente, ruim e foi espalhada pelo meu corpo inteiro. Não era água , era gasolina . um deles deu um pisão forte na minha barriga, eu me encolhi , enquanto um segundo homem cortou rapidamente a corda que prendia minhas mãos os dois se afastaram rapidamente enquanto um terceiro se aproximou coma mesma velocidade com que os outros dois recuavam , ele já tinha nas mãos um fósforo aceso quando se aproximou de mim . Ele simplesmente se aproximou e deixou o fósforo cair sobre mim. O fogo logo se espalhou pelo meu corpo , eu levantei gritando e corri e me atirei pela janela aberta , ela ficava um pouco mais alta do que 1, 30 do chão. Depois que eu cai por ela eu me levantei e comecei a correr rapidamente enquanto os 3 homens que me tacaram fogo , ficavam na janela pela qual eu pulei , me olhando e rindo da minha dor. Eu corri sem pensar em nada , só sentia dor , foi quando eu invadi a pista de repente o caminhão me acertou e eu cai chão , e ele passou por cima do meu peito , deixando a mostra meus coração e pulmões esmagados , enquanto o resto do meu corpo ainda pegava fogo.

Mais uma tortura

Quebraram minhas pernas com uma marreta, uniram meu dois punhos e os amarraram com a ponta de uma corda,passaram a corda por uma roldana pendurada no teto e me suspenderam, cravaram duas facas na minha lombar ( uma de cada lado )que fizeram elas virem subindo e rasgando minha carne até a base da minha nuca.Minha carne dói de um modo que eu nunca senti antes , eu gritei com todo o fôlego que eu tinha nos pulmões antes de eles serem cortados ao meio, ao mesmo tempo meus olhos se arregalam. Nesse momento minha boca se enche de tanto sangue que transborda. A lamina da faca esbarra nas minhas vértebras fazendo as se descalcificar um pouco. As facas cortaram meus pulmões, intestinos, estômago, pâncreas, fígado, baço. O sangue escorre pelos cortes banhando meu corpo, e formando um lago de sangue no chão frio do matadouro onde me encontro.

A soda caustica

Encontrei um pote de soda caustica ! Peguei uma das pedras com as mãos e coloquei em copo grande com pouca água. Respirei fundo rapidamente varias vezes , deixei a ultima lagrima cair a enxuguei com as costas da mãos fechei os olhos e bebi o conteúdo do copo . A dor queimante começou antes mesmo de eu beber toda soda caustica. Eu rapidamente soltei o copo deixando o cair no chão , levei as duas mãos a garganta e comecei a me contorcer ainda de pé . A dor começou na minha língua depois foi para bochecha e depois desceu para o esôfago . Eu não consegui beber todo o conteúdo , bebi só a metade . Eu senti minha língua desmanchando pela ação da soda caustica , eu senti minha face esburacar ,eu senti meu esôfago inexistir . cai no chão, me contorci e gritei. Não me arrependo da dor, não me arrependo da agonia , não me arrependo do suicídio , somente me arrependeria se ele não tivesse dado certo .

O Alivío

Hoje eu vi uma criança trancada em um quarto que tentava se matar, ajoelhada ela esfaquiava o peito repetidas vezes com uma faca de serras , porem por não conhecer muito bem sua anatomia, ele não atingia seu coração e nenhum outro órgão vital, ele chorava em silencio ( não sei porque ele preferia assim ). O sangue escorria pelos buracos das facadas como torneiras abertas, certo momento seu corpo se projetou para frente e ele bateu com força a cabeça no chão e desse modo foi escorregando até encostar o peito no chão . Meu peito doeu ao ver aquelas pequenas e brancas mãos de criança buscando com tanto desespero e com tanta vontade o fim da sua existência carnal .seus olhos inocentes carregavam um mundo de tristezas , ele morreu de hemorragia, sua agonia não parecia ser maior do que a minha por assistir aquilo tudo. Pra ele a dor e a certeza da morte era um refugio e um alívio.

Sede

Lambi o asfalto, para tentar absorver aquela água que era preta e fedorenta. Seu nojo nunca será maior do que a sede que eu sentia . Eu não me importava com a cor , com o cheiro , com o sabor da água e nem com os escarros e fezes das quais eu cai por cima. Bebi toda a água daquela poça . Saciei minha sede mas o gosto da podridão da água ainda esta na minha boca.
Tiago Amaral Pimenta. Tecnologia do Blogger.

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